Antônio Bellato

antonio bellato bioNo ano de 1880, mais precisamente no dia onze de setembro, dia do aniversário de nascimento do filho mais velho Attílio, a família de Ângelo Giuseppe Bellato e Maria Chinellato foi enriquecida com a chegada de mais uma criança a qual foi dado o nome de Antônio.
Antônio veio juntar-se aos seus irmãos Attílio, Pedro e Armindo.

Viveu sua meninice na Via Marignana 45/A bairro Marocco, uma propriedade de campo nas cercanias de Mogliano Veneto onde seu pai trabalhava para o Barão Albrizzi Franchetti.
Aos sete anos perdeu sua mãe que faleceu repentinamente deixando grande tristeza naquele menino de olhos azuis.
Aos 12 anos seu pai Ângelo resolveu seguir grande contingente de italianos que buscavam na América, mais precisamente no Brasil, uma vida de mais conforto e independência financeira que naquele momento a Itália não oferecia a grande parte de seus habitantes.

Em janeiro de 1893 embarcou no porto de Gênova, no Vapor Rosário com destino ao Brasil.
Tudo era novidade para aquele menino de 12 anos acostumado com a vida pacata e tranquila de sua cidade natal.

No arquipélago de Cabo Verde, na ilha de São Vicente, o Vapor aportou para reabastecimento de carvão, água e víveres, o garoto Antônio e seus irmãos viram negros pela primeira vez. Trabalhavam em serviços do porto. Assistiam com olhar admirados e com olhos curiosos os negrinhos de dez a doze anos, nus, a mergulharem, trazendo, entre os dentes, a moeda que alguns abastados passageiros atiravam no mar.

Desembarcou, após pouco mais de um mês de viagem no porto de Santos no Brasil e de lá seguiu com sua família, de trem, para São Paulo onde ficou por algum tempo na Hospedaria dos Imigrantes.
Seus familiares, como ciganos errantes, andaram por várias cidades do Estado de Minas Gerais: Poços de Caldas, Campestre, Santo Antônio do Machado e finalmente em 1896 estabeleceram residência na então povoação de Ponte Alta, hoje progressista cidade de Monsenhor Paulo.

Após algum tempo Antônio foi para a cidade de Campanha, sede do então distrito de Ponte Alta. Lá ficava na casa da família Serrano, amiga de seu pai. Antônio aprendeu o ofício de padeiro e trabalhava na padaria existente nos fundos do casarão da família Serrano.

Nos fins de semana ia, com um dos filhos do dono da padaria, passear na vizinha cidade de Cambuquira e lá ficou conhecendo Emiliana, uma graciosa moça filha do Gerente do Parque das Águas Minerais de Cambuquira. Depois de um breve namoro Antônio e Emiliana resolveram casar-se e com o consentimento de ambas as famílias subiram ao altar da Matriz de Cambuquira no dia primeiro de setembro de 1904 e sob as benções do Padre Paulo Emílio Moinhos de Vilhena juraram amor eterno.

No início do ano de 1905 Antônio recebeu uma carta de seu irmão Attílio que possuía uma padaria na cidade do México e estava precisando de ajuda para aumentar seu comércio. Attílio pedia para que Antônio que exercia o oficio de padeiro fosse juntar-se a ele.
Consultando sua esposa e seus familiares resolveu aceitar o convite do irmão e com muita esperança de conseguir sua independência financeira resolveu embarcar para a cidade do México. Despedindo de seus familiares e amigos, juntamente com Emiliana, partiu de trem da cidade de Campanha para a cidade de Cruzeiro no estado de São Paulo e de lá, ainda de trem, para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Na manhã cálida do dia vinte e dois de fevereiro de 1905 no porto do Rio de Janeiro embarcou no Vapor Tintoretto com destino a cidade de Nova York nos Estados Unidos da América. Depois de dezessete dias de navegação chegou ao Porto de Nova Iorque aos pés da Estátua da Liberdade. De lá embarcaram com destino ao Porto de Vera Cruz no México onde eram esperados por seu irmão Attílio.

Depois dos abraços e notícias do pai e irmãos que ficaram no Brasil, Attílio, Antônio e Emiliana partiram para a Cidade do México destino final daquele casal que saindo do Sul de Minas Gerais partiu para a então florescente capital dos Estados Unidos Mexicanos.

Durante alguns anos Antônio manteve correspondência com seu pai e seus irmãos que ficaram no Brasil, inclusive com o sobrinho e afilhado José Bellato Sobrinho filho de seu irmão Pedro.
Chegou inclusive enviar uma foto de seu filho Angel ainda menino e montado em um burrico com um “sombrero” na cabeça. Essas cartas se perderam no tempo e depois da morte de Ângelo Giuseppe no ano de 1919 toda comunicação foi interrompida. Aqui no Brasil os familiares, principalmente os mais novos, pensavam que a família Bellato havia desaparecido do México.

No ano de 2002 Francisco de Paula Belato sobrinho neto de Antônio ajudado por José Augusto Bellato sobrinho de Antônio colocaram na internet um site contando a história da Família Bellato e receberam um e-mail de Lilliana Bellato Gil que sendo bisneta de Antônio Bellato dava conta de que Antônio já falecido havia deixado geração no México. A partir dai o contato entre a parte da família Bellato do Brasil voltou a estabelecer com os Bellatos do México.

Pouco sabemos de Antônio no México. Segundos informações dos Bellatos mais antigos do Brasil, Antônio manteve uma sociedade com seu irmão Attílio em uma padaria na cidade do México por alguns anos, depois, não sabemos por que motivo desfizeram o negócio. Montou um restaurante em 1934 com o nome de “Cervecería Pierrot” que era frequentado por artistas e intelectuais da cidade do México e posteriormente vendeu para outra pessoa. Tinha também uma tienda de abarrotes (Supermercado) em San Pedro de los Pinos com o melhor de importados da Espanha e da Europa. Chamava-se “Ultramarinos Finos y Licores”.

Em 1936 sua esposa Emiliana faleceu aos 48 anos de idade que foi sepultada no “Panteón Guadalupe” em Mixcoac, assim Antônio aos 52 anos de idade ficou viúvo.

Nada mais sabemos sobre Antônio, nem mesmo a data de sua morte, isso poderá ser esclarecidos por nossos primos e primas do México.

Fontes: Dr. José Augusto Bellato
Liliana Bellato Gil
Internet
Curia Diocesana de Campanha

Autor: Francisco de Paula Belato